A UM PASSO DA EVOLUÇÃO

Mesmo sob a sombra da desaceleração econômica e da ameaça de desindustrialização, o Brasil, de certo modo, avança e navega à margem da crise mundial. No ano passado, o mercado de trabalho brasileiro viveu seu melhor momento em nove anos. A taxa média anual de desemprego, segundo o IBGE, atingiu o menor nível desde 2002: 6%.
Neste contexto, a Terceirização continuou a dar sua contribuição fundamental. Hoje, é a alternativa das mais viáveis para manutenção de índices positivos da empregabilidade. Eventuais conceitos que tentam relacionar o setor com precarização das relações de trabalho são inconsistentes. Controles falhos ambientes propícios ao não cumprimento dos direitos trabalhistas ocorrem em todos os setores, não sendo, portanto, a Terceirização a grande causadora isolada dos males trabalhistas no Brasil.
Terceirização significa novas perspectivas de trabalho, modernização das relações entre empresas, aumento da competitividade, além de fonte de geração de empregos diretos e indiretos. O setor ainda contribui para o crescimento da economia e para a queda dos números da informalidade.
Entre 2010 e 2011, mais de 10 milhões de trabalhadores foram contratados por prestadoras de serviços a terceiros. Diante da mobilização pelo fim da atividade, há uma importante questão a ser respondida: teria o Brasil capacidade para absorver o contingente de trabalhadores formais hoje empregados pela Terceirização? Improvável.
Este setor é hoje sinônimo de especialização e de formação de mão obra para atender às novas exigências dos sistemas produtivos. A prestação de serviços constitui recurso estratégico indispensável à modernização e ao desenvolvimento empresarial. Ampara-se no princípio da parceria, que requer confiança entre partes envolvidas, transparência e preservação de princípios éticos.
As empresas prestadoras de serviços sérias, responsáveis e cumpridoras de seus deveres, não podem ser misturadas às inidôneas, inescrupulosas, que visam apenas o lucro e não se preocupam com a qualidade do serviço prestado ou burlam os direitos dos trabalhadores. A maior parte das reclamações contra a Terceirização está naqueles segmentos nos quais o principal critério para os contratos é o menor preço.
A Terceirização abre e amplia novos horizontes econômicos e por isso precisa ter sua lei própria. A partir da aprovação de uma legislação específica, o setor poderá avançar e ficará cada vez mais fácil perceber onde estão as frutas podres da cesta. Com regras claras, haverá uma seleção natural entre as boas e as más organizações do setor.
Este é um momento de decisão para o Brasil. Escolher entre continuar crescendo ou estagnar enquanto as demais Nações sobem a patamares mais altos. A Terceirização pode ser um grande degrau. Basta apenas dar o primeiro passo. Queremos competir em um mercado livre e concorrer com empresas nacionais e estrangeiras, sob o escudo de regras igualitárias.
“A Terceirização abre e amplia novos horizontes econômicos e por isso precisa ter sua lei própria. A partir da aprovação de uma legislação específica, o setor poderá avançar e ficará cada vez mais fácil distinguir as boas das más empresas. Com regras claras, haverá uma seleção natural.”

Vander Morales
Presidente do Sindeprestem e da Fenaserhtt

Fonte: http://tr.delivery.whservidor.com/index.dma/DmaPreview?5982,747,10121,088e84a1c293a48fafbf77b56c15599f